27/06/09

Assassinos, hipócritas e desumanos



É preciso dizer, com todas as letras, que o Irão é governado actualmente por um bando de assassinos, que se procura agarrar ao poder em nome de Alá.

Ahmad Khatami, um religioso conservador, apelou ontem às autoridades para executarem os promotores das manifestações para servir de lição às milhares de pessoas que nelas participaram. “Quero que o órgão judiciário puna os que incitaram às manifestações de modo firme e sem misericórdia, para que aprendam a lição. Eles têm de ser punidos selvaticamente, sem piedade”, afirmou Khatami, que é membro da Assembleia dos Peritos.

O clérigo adianta que os incitadores das manifestações têm de ser acusados de serem ‘mohareb’, um termo que se utiliza para designar aqueles que declaram guerra a Deus. Ao abrigo da lei iraniana, todos os ‘mohareb’ são condenadosà pena máxima: a execução.

A jovem assassinada pelos próceres do regime, Neda Soltan, foi sepultada às escondidas, sem que a família soubesse, e agora a família foi expulsa de casa, de modo a evitar que o local se converta em local de peregrinação. Proibiram assim o direito sagrado do luto à família da jovem.

Assassinos, desumanos, tais dirigentes não merecem o respeito da comunidade internacional. Por muito que encham a boca de… Deus.


Fonte: Ovelha Perdida


O pop não poupa ninguém

Michael Jackson aos 50 anos numa possível reconstituição sem as cirurgias plásticas.

Paulo Brabo

A fama é o pecado de se tornar importante para alguém que você não conhece e que não conhece você.

Diz-se da pornografia que ela é degradante para os homens e mulheres que se despem e se rebaixam ao sexo explícito em benefício do espectador. Porém o segredo da pornografia, a verdadeira chave de sua atração e de sua consagração, está em que ela é tão degradante para o espectador quanto para o envolvido na sua produção. Nada há de inerentemente humilhante ou atraente no sexo, mas a pornografia oferece um pacto mútuo de desumanização, e nisso reside o seu apelo.

A fama e a pornografia são indistinguíveis nisso, no que fornecem um mesmo acordo de desumanização entre produtor e consumidor, entre artista e espectador, entre famosos e fãs.

Absolutamente ninguém encarnou melhor essa potência do que Michael Jackson, o homem mais irresistível do mundo, o rapaz bonito que se desfigurou publicamente porque, muito evidentemente, nós o desfiguramos. Agora que a Fera está morta podemos reconhecer, como numa reviravolta muito rasa de Shyamalan, que os desfigurados somos nós, porque adoramos um homem que não conhecíamos e o destruímos no processo. A fama não cria deuses, só cria bodes expiatórios.

Um homem derramou a sua beleza por nós, e nós o consumimos.

Fonte:A Bacia das Almas

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24/06/09

Loja de Brinquedos, McDonald’s, Embraer – Dos Modelos Eclesiásticos


Robinson Cavalcanti, bispo anglicano



Que Deus está de volta todos nós sabemos; igualmente que Ele parece morar mais no hemisfério sul. E como as Igrejas novas do hemisfério sul se relacionam com as Igrejas velhas do hemisfério norte, nessa nova globalização eclesiástica?

Sabemos que as pessoas, quando crianças, naturalmente imitam seus pais. Quando crescem, guardam marcas familiares, mas desenvolvem a sua própria personalidade. É normal imitar papai e mamãe aos 10 anos; não é muito normal continuar a fazê-lo aos 40 anos...

Todo cantor, ou cantora, inicia sua carreira imitando o seu ídolo, ou ídola, Depois, amadurecem, e, mesmo mantendo influências de sua formação, desenvolvem um estilo próprio. O mesmo não acontece com os “covers”...

O Evangelho vem das velhas Igrejas com o seu conteúdo eterno e a sua roupagem cultural. O que se espera é que se mantenha o conteúdo, mas se atualize o guarda-roupa. Mas, nem sempre. Há uma diferença entre ortodoxia (conteúdo) e tradicionalismo (forma).

Certa vez, na então Missão do Amor Cristão, em Maceió, Alagoas, falei que eles deveriam ser gratos à Paróquia que os fundou, e guardar o seu bom legado, mas que deveriam desenvolver uma personalidade própria, encarnando a fé na alagoanidade. Para que fui falar! Depois do culto, um dos líderes, bastante aborrecido, verberou: “Nós não queremos nada disso que o senhor falou. O que nos queremos é ser uma cópia fiel da Paróquia que nos fundou (em outra cidade, e em outro Estado)”. Ao que respondi: “Então vocês vão ter que clonar o pastor e o rebanho”.

Um grupo estava trabalhando na formulação de uma pastoral familiar, quando chegou o projeto do Encontro de Casais com Cristo (ECC). O projeto anterior foi suspenso, e o ECC adotado. Um membro da Junta Paroquial e eu nos dirigimos ao Pároco, e propomos a criação de uma comissão, para adaptar o ECC ao modo de ser da nossa Paróquia e a nossa cultura regional. Vermelho de raiva, o Pároco reagiu: “E quem são vocês para terem a pretensão de aperfeiçoar um modelo perfeito e bem sucedido?”. Nos retiramos do gabinete, e não porque tivéssemos nada contra o ECC, ou os seus dirigentes, mas por uma concepção missiológica, nos recusamos a participar de qualquer pacote fechado, sacralizado, imutável, inaperfeiçoável.

Olhando para as Igrejas do hemisfério sul, descobrimos três modelos:

As Igrejas Lojas de Brinquedos: não projeta, não fabrica, apenas vende, para o público local, produtos importados (made in China, made in Malásia, etc.). Estarão sempre buscando as novidades, para atrair os seus fregueses;

As Igrejas McDonald's: funcionam como uma franquia. Os funcionários podem ser morenos, falar português e receber em real, mas os produtos serão exatamente iguais à matriz. Até refrigerante só vende coca-cola, fanta e sprite, nem guaraná, mesmo estando no Brasil. Esse modelo se aplica, também, para missionários brasileiros no exterior: são morenos, mas tão originais quanto os vendedores da Amway...;

As Igrejas Embraer: podem importar ideias e componentes de vários lugares, mas fabricam aqui e aperfeiçoam aqui. Começaram com os “xavantes” e os “bandeirantes” (kombis voadoras...), para, depois, com o EMB, concorrer no mercado de aviões de médio porte com a franco-canadense Bombardier, e hoje, com o novo Embraer, apresentar o modelo maior, altamente competitivo.

Quando os irmãos Vieira Ferreira, maranhenses e ex-presbiterianos fundaram a primeira denominação nacional: a Igreja Evangélica Brasileira, ainda no século XIX, quando foi criada a Igreja Presbiteriana Independente (IPI), no início do seu século XX, ou quando o missionário Manoel de Melo – descolando da Assembleia de Deus e da Igreja do Evangelho Quadrangular – funda a Igreja Pentecostal “O Brasil para Cristo”, nos anos 1950, quando a Congregação Cristã no Brasil se descola da sua tríplice influência de origem (valdense, pentecostal, irmãos livres), quando a Assembleia de Deus mergulha na religiosidade popular do nordeste, se diferencia das suas mães suecas e norte-americanas, presenciamos o “modelo Embraer”.

Não seria esse modelo responsável pelo “Reavivamento do Leste da África”, nos anos 1930, pela fundação das igrejas nativistas como a Igreja Kimbanguista, ou pelo crescimento das igrejas coreanas, que chegam ao cenário cristão mundial com produtos próprios?

O Brasil tem recebido muito de Deus: natureza, liberdade, evangelho. O que lhe dá muita responsabilidade para o amadurecimento do Corpo de Cristo e para as missões mundiais. Mas, com o que estamos contribuindo para o enriquecimento do todo e para a renovação/atualização do eterno?

Tenho orado e trabalhado por esse amadurecimento, para o dia em que superaremos o modelo Loja de Brinquedos e o modelo McDonald's, e entraremos no mercado, honrando ao Senhor, com um possante avião, por nós desenhado e pilotado!

Fonte: Pavablog


22/06/09

A cruz de Cristo e a espiritualidade cristã



Ricardo Barbosa de Sousa

Tenho, nos últimos anos, refletido sobre a espiritualidade cristã. Minha preocupação está voltada para a apatia espiritual, a falta de integridade e coerência entre nossas convicções e a vida, a distância entre a teologia e a oração, e o chamado de Cristo para amar a Deus com a mente e o coração. Embora este tema tenha tomado outros rumos e provocado outros interesses, nem sempre fundamentados na Bíblia ou na longa tradição cristã, ele segue sendo um grande desafio para os cristãos do século 21.

Para manter o foco numa espiritualidade cristã e bíblica, é preciso reconhecer a centralidade da cruz. A cruz de Cristo foi única no sentido de que representou uma escolha, um caminho que Jesus decidiu trilhar: o caminho da obediência ao Pai. A espiritualidade cristã requer obediência. Sabemos que no tempo de Jesus existiram muitas outras cruzes e muitos que foram crucificados nelas; alguns culpados, outros martirizados. No entanto, nenhuma delas pode ser comparada com a cruz de nosso Senhor em virtude daquilo que ela representou.

Podemos considerar que a cruz de Cristo começa a ser carregada no episódio da tentação. Ali, o diabo propõe um caminho para Jesus ser o Messias. Um caminho que representou uma forma tentadora de ser o Messias. Transformar pedras em pães, saltar do alto do templo e ser amparado por anjos, e receber a autoridade política e financeira sobre os reinos e as nações. Se Jesus aceitasse a oferta do diabo, rapidamente teria uma multidão de admiradores, de gente faminta encontrando pão nas ruas e estradas, encantada com seu poder sobre os anjos e os seres celestiais e com seu governo mundial estabelecendo as novas regras políticas e econômicas. Seria o caminho mais rápido para implantar seu reino entre os homens.

Porém, o caminho de Deus não era este. O reino que ele oferece precisa nascer primeiro dentro de cada um. As mudanças não acontecem de cima para baixo nem de fora para dentro. É um reino que vem como uma pequena semente e leva tempo para crescer. Não é imposto, é aceito. Não se estabelece pela força do poder, mas pelo coração e mente transformados. O rei deste reino não permanece assentado no seu trono, mas desce e se torna um servo.

A cruz de Jesus não significou apenas o sofrimento final do seu ministério público. Ela representou uma escolha que o acompanhou por toda a sua vida e que culminou em seu sofrimento e morte. Quando Jesus nos chama para segui-lo, ele afirma que, se não tomarmos nossa cruz, não será possível ser seu discípulo. A razão para isto é clara. Se o caminho dele é o caminho do servo obediente, o nosso não pode ser diferente. Por isto, precisamos tomar nossa cruz, e ela deve representar também nossa escolha, que é a mesma que ele fez -- uma escolha pela renúncia e pela obediência ao Pai.

O apóstolo Paulo entende o chamado de Jesus para tomar a cruz e segui-lo quando afirma: “Eu estou crucificado para o mundo e o mundo está crucificado para mim”. O caminho do mundo ensina: “Ame seus amigos e seja indiferente com os outros”. O caminho de Jesus diz: “Ame os inimigos e ore por eles”. No caminho do mundo ser o maior e o melhor é o mais importante. No caminho de Jesus o melhor é ser o menor e o servo de todos.

Podemos achar que o caminho de Cristo é muito difícil, que amar os inimigos, orar pelos caluniadores, ser manso num mundo competitivo, humilde numa sociedade ambiciosa, não é só difícil -- é impossível. Concordo, por isto o chamado é para tomar a cruz. A cruz significa renúncia, sofrimento e morte.

As opções estão diante de nós diariamente. Todos os dias somos levados ao monte da tentação. Todos os dias o diabo nos oferece suas ofertas e seu caminho, e Deus, pela sua palavra, nos revela seu caminho. Todos os dias temos de fazer nossas escolhas. Tomar nossa cruz é aceitar o caminho de Cristo, e neste caminho experimentamos uma espiritualidade verdadeira.


• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

Fonte: Revista Utimato
http://www.ultimato.com.br/

10/06/09

Missão Cena - Comunidade Evangélica Nova Aurora

Missão SAL - Salvação,Libertação e Amor





30/05/09

Vivemos numa sociedade líquida

O intelectual polonês radicado na Inglaterra, o sociólogo Zygmunt Bauman é um dos líderes da chamada “sociologia humanística”. Em suas obras ele tenta compreender a complexidade e diversidade da vida humana. Ele sugeriu a metáfora da “liquidez” para caracterizar o estado da sociedade moderna, que, como os líquidos, se caracterizam por uma incapacidade de manter a forma. “Nossas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crença e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes, hábitos e verdades auto-evidentes”.

Jean-Paul Sartre aconselhou seus discípulos em todo o mundo a terem um projeto de vida, a discutir o que queriam ser e, a partir daí, implementar esse programa consistentemente, passo a passo, hora em hora. Ter uma identidade fixa, como Sartre aconselhou, é hoje, nesse mundo fluído, uma decisão de certo modo suicida. “Na época da modernidade sólida, informa Bauman, quem entrasse como aprendiz nas fábricas da Ford iria com toda probabilidade ter uma longa carreira e se aposentar após 40 ou 45 anos. Hoje em dia, quem trabalha para Bill Gates por um salário talvez cem vezes maior não tem idéia do que poderá lhe acontecer dali a meio ano!. E isso faz uma diferença incrível em todos os aspectos da vida humana”.

Em Amor Líquido ele explora o impacto dessa situação nas relações humanas, quando o indivíduo se vê diante de um dilema terrível: de um lado, ele precisa dos outros como do ar que respira, mas, ao mesmo tempo, ele tem medo de desenvolver relacionamentos mais profundos, que o imobilizem num mundo em permanente movimento.

Os riscos de hoje são de outra ordem, não se podendo sentir ou tocar em muitos deles, apesar de estarmos todos expostos, em algum grau, a suas conseqüências. Para outros sociólogos, a antiga condição de emprego poderia destruir a criatividade humana, as habilidades humanas, mas construía a vida humana, que poderia ser planejada.

Já o filósofo Gilles Lipovetsky informa que há uma situação paradoxal da sociedade contemporânea, dividida de modo quase esquisofrênica entre a cultura de excesso e o elogio da moderação. De um lado, diz Lipovetsky, autor de Os Tempos Hipermodernos, “é preciso ser mais moderno que o moderno, mais jovem que o jovem, estar mais na moda do que a própria moda”; de outro, valorizam-se “a saúde, a prevenção, o equilíbrio, o retorno da moral ou das religiões orientais”. Esse convívio frenético de ordem e desordem (“caos organizados” como define o filósofo) que identifica a sociedade hipermoderna resulta, paradoxalmente, na fragilização do indivíduo, que vê ruir as antigas formas de coesão social – Estado, religião, partidos revolucionários. Se antes o indivíduo tinha confiança no futuro, agora ele tem a dúvida. É a população trazendo suicídio, ansiedade, depressão, medo de envelhecer e do desemprego.

Vivemos hoje a modernidade líquida (a hipermodernidade). Vivemos uma sociedade na qual estabelecer projetos não é uma coisa simples como na época de Sartre. O Sartre dizia para os jovens “façam projetos e desenvolvam seus projetos”. Só que hoje os projetos são frágeis, são para pouco tempo.

Desde que se iniciou a modernidade, no século XVIII, todas as coisas estruturadas e sólidas começaram a se desmanchar, por uma necessidade socioeconômica. Basta lembrar a frase de Marx, “tudo que é sólido se desmancha no ar...”. Nos últimos 25 anos essa modernidade adquiriu uma velocidade fantástica, por isso é chamada de líquida, não tem nada muito sólido. A família não está sólida, a Igreja, a política... As relações amorosas também estão sofrendo, os laços familiares ficaram frágeis. Estamos um pouco desconcertantes nesta nova sociedade, procurando saídas. Cada um busca encontrar caminhos para poder de uma forma criativa enfrentar o novo.

A sociedade líquida pede euforias, total e completa. É uma sociedade de indivíduos. Tudo aquilo que era prometido como uma felicidade depois da morte ou a felicidade depois de determinado sacrifício não existe mais. A sociedade agora constrói como valor ideal a felicidade aqui, agora e já. A felicidade perfeita diz que se deve gozar de tudo. Uma sociedade que tem muito mais direitos do que deveres e isso a gente vê principalmente nos jovens, nas crianças nas escolas.

Perdeu-se a confiança no futuro, fragilizando os laços amorosos. A relação humana é uma construção. É preciso que se reconheça que o outro é a diferença, amar no outro a diferença. O que eu amo no outro é sempre a diferença de mim, pois de outra forma vou acabar amando o espelho. Se os laços se constroem a partir do espelho (amar a si mesmo), esses laços serão narcisitas e se rompe rapidamente e com facilidade. Muitas vezes ter uma razão é um problema nos relacionamentos. Só melhoram quando paramos de querer ter muita razão. E essa vontade de ter razão vem de um padrão: o da felicidade, bom relacionamento. Seria bom sermos iconoclastas, rompendo com os padrões e construindo o próprio rumo. É preciso encarar o problema sem ódio, raiva ou ressentimento. Precisamos aprender a experiência do presente. É preciso prestar atenção para o que ocorre em nossa volta, de olhar com admiração, surpresa o que a gente vai vivendo. Somos deseducados, afastados do nosso presente, despercebendo o que acontece aqui e agora.

É nesta sociedade líquida, onde a liberdade é bem maior onde os vínculos se estabelecem e rapidamente se desfaz, sem a dependência doentia, é uma sociedade de paixão descafeinada (como diz o filósofo Slavo Zizek), do açúcar sem açúcar, da paixão sem entrega. É uma sociedade de paradoxos: tem medo de se entregar à paixão, tem todo auto-sobrevivente; é preciso se manter inteiro.

Fonte:Blog do Gutemberg

Sinais dos Tempos


Ricardo Barbosa de Souza

O amor vem esfriando na medida em que crescem a iniqüidade, o individualismo, o narcisismo.

Os discípulos de Cristo, um dia, perguntaram a ele quais seriam os sinais que antecederiam a sua vinda. Ele respondeu esta pergunta numa longa pregação, conhecido como “sermão profético”. Entre os sinais apresentados por Jesus, destaca-se o surgimento de falsos Cristos e falsos profetas, que iriam enganar muitas pessoas. O Filho de Deus falou também de guerras entre as nações e de abalos sísmicos. No entanto, há um sinal que me chama a atenção de forma particular: trata-se daquele que fala do esfriamento do amor. Jesus disse: “E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24.12).

A relação que Jesus apresenta é inversamente proporcional: o crescimento da iniqüidade implica no enfraquecimento do amor. Vejam se não é esse o nosso caso. Na medida em que cresce o pecado em suas mais variadas formas, da corrupção ao crescimento da miséria social, da pornografia a todas as formas de banalização sexual, a violência nas ruas e nos lares, o individualismo autocentrado e narcisista, esfria o amor genuíno e sincero no ser humano. Somos uma geração que vem desaprendendo a amar. Não estou me referindo a uma forma platônica de amor ou aos modelos hollywoodianos que enchem nossa sala de estar todos os dias, mas ao amor conforme Deus o revela nas Escrituras. Amor naquela forma como ele mesmo nos tem amado e celebrado uma aliança com seu povo. Provavelmente não há nenhum texto mais completo sobre o amor do que I Coríntios 13, um texto que precisa ser revisitado por nós diante daquilo que vemos todos os dias.

Naquela epístola, Paulo fala de um amor que é paciente, que não se perde diante da primeira crise ou da primeira desilusão; um sentimento bondoso, não ciumento e humilde. Um amor que não se comporta de forma inconveniente, mas é altruísta, e está sempre procurando atender o interesse dos outros e não o seu próprio. É também um amor que não se ira facilmente, que não guarda rancor, que não se alegra com a injustiça mas que salta de júbilo quando a verdade triunfa. É um amor que sabe que o sofrimento sempre acompanha aquele que ama. Um amor que se sustenta sob fundamentos sólidos e verdadeiros, que não tem a pressa dos egoístas, mas que sabe esperar e possui uma enorme capacidade de suportar adversidades.

Este amor que Paulo nos descreve vem diminuindo e esfriando na medida em que cresce o egoísmo alimentado pelo individualismo da cultura narcisista, onde o que importa sou eu, meus desejos, meus interesses, meu momento, minhas necessidades, minha realização, meus projetos, o que eu penso, quero e preciso. Imagino que quando duas pessoas modernas, com este espírito individualista e narcisista, se encontram e resolvem se amar, envolvem-se num modelo de relacionamento onde, à primeira vista, tudo indica que se trata de um belíssimo e invejável romance. Contudo, diante do primeiro obstáculo, da primeira frustração, de um simples desentendimento, da dor e do sofrimento, ou do cansaço e da vontade de experimentar “novos ares”, abandonam aquele amor que foi grande apenas enquanto durou em troca de um outro que atenda as necessidades de um ego inflado, imaturo e insaciável.

É por causa da iniqüidade deste espírito individualista e narcisista que os pais vão abandonando os seus filhos porque têm coisas mais importantes a fazer, como ganhar dinheiro ou buscar o sucesso, do que cuidar deles e amá-los; alguns tornam-se indiferentes e os abandonam à própria sorte na esperança de que na escola ou na vizinhança encontrarão quem os ame e eduque. Outros há que tentam manipulá-los e controlá-los em virtude da mesma iniqüidade, da mesma falta de tempo e da mesma insegurança. Os mais modernos já preferem não tê-los porque sabem que o amor que possuem não ultrapassa a epiderme – não são capazes de amar nada além do seu próprio ego. Por outro lado, os filhos vêm se rebelando contra seus pais, negando-lhes o respeito e a honra. São também filhos da iniqüidade do nosso tempo, do mesmo individualismo, do mesmo egoísmo.

Os jovens trocaram o amor pelo sexo para descobrirem lá na frente, depois de tantas idas e vindas e muitas “ficadas”, que são bons de cama mas frios e imaturos na arte de construir um amor que supera as fronteiras do egoísmo e que cresce na medida que o tempo passa. Os escândalos de corrupção que mais uma vez abalam o país têm, na sua raiz, o mesmo mal. Todos buscam o que é seu e nunca o que é dos outros. A epidemia que hoje toma conta da nação não é a corrupção – ela é apenas mais uma expressão de uma nação, onde a iniquidade cresceu tanto que fez o amor murchar.

Eu nunca fui um desses crentes interessados em decifrar os códigos para adivinhar quando é que Jesus Cristo volta. Tal aritimética não me interessa. Apenas sei que ele voltará, e isso me basta. No entanto, devo confessar que olhando para o cenário do mundo hoje, tenho orado por uma intervenção divina e espero que ela aconteça logo, seja na forma de um novo avivamento – daqueles que penetram na raiz do coração humano e o transforma e não esta panacéia religiosa que alguns chamam de “derramamento do Espírito” – ou de uma intervenção escatológica, final ou não. Oro por isto porque não é mais possível suportar tanta injustiça, tanta miséria, tanta imoralidade, tanto pecado.

Oro também para que Deus nos preserve fiéis a ele e à sua Palavra, para que aqueles que reconhecem o amor divino e são alimentados e inspirados por ele cresçam cada vez mais amparando o pobre, cuidando do necessitado, lutando pela justiça, permanecendo fiéis aos termos da aliança com Deus e com o próximo. Jesus, naquele sermão profético, afirma que “o amor se esfriará de quase todos”. E é nesta pequena exceção que quero me incluir, a mim e a você, mesmo que sejamos apenas um pequeno remanescente, mas um remanescente que não se curva diante dos Baalins do mundo moderno.

Fonte:Monergismo

Oportunidades de reevangelização em uma Sociedade cada vez mais Pluralista

Em Romanos 12.1-2, Paulo associa “século” e “mente”. Naquele tempo, ainda não se filosofava sobre ideologia, no sentido político do termo. Muito menos sobre a formação social da consciência. Consciência de classe, então, nem pensar! Esses são conceitos modernos. Mas os ingredientes dessas descobertas já existiam entre os filósofos gregos e romanos. E encontramos o apóstolo Paulo a nos alertar sobre o poder conformador do meio em que vivemos sobre nossa mente. Como que a dizer que nosso modo de sentir, pensar e agir tende a acompanhar a sociedade em que vivemos — nosso “século”. A tal ponto que, se quisermos ser “normais”, teremos de nos deixar secularizar.

A exortação, então, é que não permitamos que essa fôrma secular conforme nossas mentes, de modo acrítico, mas que cuidemos de ultrapassar a fôrma deste século — que nos transformemos — e que nos conformemos à mente de Cristo. Que missão!

Ao buscarmos as oportunidades de reevangelização que uma sociedade cada vez mais pluralista nos oferece, precisamos responder à pergunta: que século? Porque se soubermos de que sociedade estamos falando, saberemos também a que “mentes” destinaremos nossa mensagem (re)evangelizadora.

A mente secularizada de nosso “século” sonha com um lar. Ela é cidadã do mundo (portanto, não tem pátria; sendo de todos, não pertence a ninguém); vive numa “sociedade-supermercado”, sob o império das diferenças; conformou-se ao hábito de escolher nas prateleiras da vida; é consumidora e consumista; é relativizada e gosta de poder optar; é horizontalizada (o valor do que é ofertado nas prateleiras depende de quem escolhe); é volúvel (não resiste a uma oferta, a uma novidade, a uma promoção); é superficial como uma borboleta (sempre de passagem para a próxima flor); é hedonista (seus critérios de escolha são o prazer: pessoal, íntimo e intransferível); é iconoclasta (porque é horizontalizada) e tem como valor maior e bússola existencial sua auto-estima.

Essa mente sem lar é livre, leve, solta — e órfã. Não deve satisfação a ninguém; não precisa agüentar ninguém; não aceita intromissões, não deseja relações profundas nem duradouras. Mora sozinha, por opção. Seus votos de casamento valem menos que uma placa de 20 km/h na estrada.

Mas essa mente sonha com um lar. Sim, ela foi criada para viver em comunidade, ancorada emocionalmente por referenciais, protegida por gente que gosta dela; carregada no colo por afetos duradouros. Ela foi projetada para viver em família. A reevangelização dessa mente precisa incluir a oferta concreta do amor de Deus. Um amor que receba, acolha, perdoe, restaure, coloque um anel no dedo e uma sandália nos pés.

Essa mente não sabe ser convencida. Não quer decidir logicamente. Não resistirá acordada à nossa apologética. Mas poderá ser seduzida por uma manifestação afetiva, sacrificial, não-combativa, não punitiva da igreja. A doutrina certamente terá o seu lugar na renovação das mentes, para que seja possível experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Mas ela virá ao seu tempo. Agora, ela pode matar o paciente. O tempo é de leite. Com o crescimento, a criança passará a mastigar alimentos sólidos. E a Palavra será seu guia.

Para reevangelizar o mundo pós-moderno é necessário que nos renovemos, pela transformação de nossas mentes, e desenvolvamos uma especial capacidade de encarnação, num século de almas tão altivas quanto desesperadas; corações que de dia desprezam o Senhor, mas à noite anelam por ele.

Adaptado de participação no Encontro de Amigos, da Revista Ultimato, em Viçosa, julho de 2008, e publicada na edição 315.

Fonte: Home Page de Rubem Amorese
http://www.amorese.com.br/index.html

Luteranos no Jornal Nacional

28/05/09

Batistas e Adventistas no Jornal Nacional

Assembleianos e Presbiterianos no Jornal Nacional

Metodistas no Jornal Nacional

Haka versão portuguesa



Fonte: Ovelha Perdida

http://ovelhaperdida.wordpress.com/